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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008
Terça-feira, 24 de Junho de 2008
14° Festival Internacional de Poesia de Gênova
Domingo, 25 de Maio de 2008
Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
NEM TUDO SE DESFAZ NUM MUNDO EXAUSTO...
Nem tudo se desfaz, de um mundo exausto:
Fremente, produtivo, persistente,
Não soçobra, sereno, não se abala
O que se produziu, sem ganho ou lucro,
Puro efeito, sereno, de ternura.
O que o amor plantou deita raízes,
Que o tempo não corrói, nem a usura.
O puro dom, nem mesmo se acontece
Rejeitado se vir, por quem amámos,
Jamais há-de perder sua eficácia.
Amar é exercício, que se cumpre
Apenas no cumprir-se, desligado
De espera de retorno ou de lembrança.
Amar é fonte pura, produtiva,
Sem memória do fluxo das águas...
O que se amou se fez imperecível,
Independe de alvo ou de destino.
Amar é para além de eco ou sombra,
É algo que acrescenta, mesmo quando
Recebe o desfavor da indiferença.
O que nos cumpre é amar, isso é que importa,
Seja ante nós fechada ou aberta a porta.
Amar sempre resulta em eficiente
Acréscimo de ser, independente
De fútil expectativa de retorno...
Assis, 27 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
E-mail: professorprado.prado@gmail.com
DEIXA FLUIR TEU CANTO...
Deixa fluir teu canto, livremente,
Deixa brotar a lágrima, espontânea,
O sonho é antevéspera da aurora,
Que sempre é puro dom, oferta pura.
Deixa afluir em ti a tua infância
Presente e atuante e promissora...
O tempo não cancela o olho d’água
De que procede o imenso rio da vida.
Deixa que a voz, liberta das amarras,
Entoe um canto simples, despojado,
Que imite o puro som do enamorado,
E seja, como o vento, sem medidas.
Deixa a vida pulsar, sem freio ou diques,
Qual puro balbuciar de uma criança.
Deixa que a vida te conduza sempre
Qual faz o vento à imponderável pluma...
Assis, 27 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
E-mail: professorprado.prado@gmail.com
AQUELES QUE AMAMOS...
Mais presentes, quanto mais ausentes,
Aqueles que amamos não desertam
De nosso coração, deles lembrado.
Distantes pelo espaço dos limites
Silentes pelo efeitos das distâncias.
Freqüentam nossa límpida ternura.
Com eles dialogo no silêncio
Ouço-lhes a fala defectiva
O espetáculo silente da amizade.
Nem mesmo a morte os distancia
Desse constante afeto que os preserva
Vivos, para além da morte ou vida...
Assis, 27 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
E-mail: professorprado.prado@gmail.com
LIBERTO, COMO OS PÁSSAROS...
Sê como a nuvem, livre, transitório:
Fugaz, como o perfume (imponderável)
Do hálito da vida, que se escoa.
Imita o ar, que flúi sem alarde,
E sem o qual não se constrói a vida...
Imita o coração, discreto, ágil,
Indiferente ao tempo dos relógios...
Assis, 27 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
E-mail: professorprado.prado@gmail.com
DISCRIÇÃO E SILÊNCIO...
A Poesia não gosta de rumores
De voz altissonante e desmedida;
E esquiva ela se faz aos impudores
De quem sempre escancara a voz e a vida.
A Poesia prefere a voz discreta
A pausa, o exercício da medida,
O silêncio interior, a mais secreta
Altiva contenção da voz sofrida.
A Poesia abomina a voz gritante
A estridência do som, o descompasso,
O estrondoso impudor do alto-falante.
É discreta a harmonia, que persegue,
E traduz, comedida, em curto espaço,
Na forma breve, que busca, e que consegue...
São Paulo, 9 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
E-mail: professorprado.prado@gmail.com
Sábado, 30 de Junho de 2007
SOB O SIGNO DA DISPERSÃO...
E perde a substância, que o sustenta,
Quanto de nós decorre de uma fome,
Que de angústia somente se alimenta...
Que somos nós mais que precário nome
De um transitório tempo, que se ausenta?
De que vale batalhar por um renome.
Que ao embate das ondas se arrebenta?
Somos poeira dispersa, quando venta,
Somos precária carne esmaecida,
Sujeita a corrosão roaz e lenta.
E logo vêm o tempo da partida
E a sofrida voz, que se lamenta
Do trânsito fugaz de nossa vida...
São Paulo, 9 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
E-mail: professorprado.prado@gmail.com
NOVA IDADE, NOVIDADE...
Quando, livre do jugo da idade,
A poesia inaugura um canto novo
O impacto de surpresa e raridade
Distancia o poeta de seu povo.
Há um tempo de inércia, a ser vencido
Há um tempo de mora e resistência
Ante aquilo que é novo e não vivido
E se faz desafio à inexperiência.
Todo poeta é profeta antecipado
Portador de um apelo (inconveniente...)
Ao seguro conforto do passado.
E o que surge e desponta, de repente,
Divergindo do velho e sancionado,
Espanta pela força da semente...
São Paulo, 10 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
COMPARTILHADO
Solitário indivíduo estendo pontes
E solidário me faço além do espaço
Exíguo deste corpo agreste e lasso,
Navegando para além dos horizontes.
Compartilhada vida só em parte
Pois que, por outra parte, fujo à ilha,
E desfruto a perpétua maravilha
De à angusta solidão fugir com arte.
Solitário, mas sempre solidário,
Fugindo ao tempo precário e repartido,
No bem do amor encontro o meu sacrário
E tudo o que é bem meu eu condivido
Não vendo noutro ser algo contrário
Mas o que faz o inferno suprimido.
Assis, 15 de junho de 2007
Antônio Lázaro de Almeida Prado
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Interlúdio paulistano (1)
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Interlúdio paulistano (2)
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